quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Carnaval em tempo de ordem!

.
A Riotur está recebendo os pedidos de autorização para desfile dos blocos de rua no carnaval de 2010. O prazo acaba no dia 30 de agosto, e quem não der entrada até essa data não receberá autorização para desfilar nas ruas no carnaval do ano que vem. Até o momento, 28 agremiações já apresentaram seus pedidos. O responsável pelo bloco deve comparecer à Praça Pio X, número 119, 12° andar, ao lado da Candelária, no Centro, para preencher e assinar o requerimento. É preciso entregar uma cópia da identidade e do CPF. Outras informações pelo telefone 2271-7058.
.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Mais de mil palhaços no salão!

.

O desfile de 2009 foi assim: A galera chegou cedo, e como era de se esperar para um dia de folia, toda a corte de Momo estava na rua. Aos poucos chegaram as tradicionais fantasias do carnaval carioca: Veio a baianinha de renda branca e laço na cabeça. Chegou fadinha cor de rosa. Diabinha de cetim vermelho. Tinha árabe, bate-bolas e pierrot. O “mendigo” fez sucesso, assim como o tradicional machão vestido de "piranha" de cabelos cor de rosa. No improviso, tinha camisa de time, roupão de banho cor de rosa e cordão havaiano a granel. Quem não acreditou na alegria de fantasiar-se, vestiu nosso azul e branco. O resto, era cor de carne, gente e alegria. O estandarte ostentando nosso símbolo de amizade, passou para brincar, para divertir, para unir. Criou elos e fez corrente, plantando sementes de harmonia, amor e paz!



Para vizualizar mais fotos do desfile 2009, visite nossa página do Flick;
http://www.flickr.com/photos/29746011@N03/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Fuzuê 2009

.

O bloco é de adulto, mas a criançada também se diverte. A parte musical vem reforçada nos sopros com a banda tocando marchinhas e sambas como se fosse um grande baile ao ar livre. Música de primeira, repertório seleto e músicos de qualidade embalam o bloco que segue vagarosamente pela tradicional Rua Uçá - Jardim Guanabara/ Ilha do Governador.
De base familiar e fundado por amigos, o “Fuzuê faz” parte da nova geração de blocos cariocas que está trazendo de volta o carnaval popular para dentro dos bairros da cidade. A idéia é reviver o carnaval do Rio Antigo com a turma fantasiada e mascarada, jogando confete e serpentina. A tomada da rua pelo Fuzuê é uma atividade que proporciona um encontro divertido entre amigos, famílias, crianças e idosos tendo como base o gosto pela festa e o espírito de irreverência típico da cultura carioca.
Concentrando-se na Praça do Grego a partir do meio dia do domingo que antecede o carnaval oficial, a rapaziada do bloco desfila sem carro de som e sem corda, contando apenas com os “pulmões fortes” de seus numerosos músicos e com o “gógó” de seus foliões que não deixam de cantar para saudar com alegria, a chegada do carnaval na cidade.


Em 2009 estaremos lá. Esperamos todos no dia 15 de Fevereiro.

Quando nosso estandarte estiver na rua e o clarim romper o burburinho das bocas estejam certo: Abram Alas porque nós vamos passar!





sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Nossa Madrinha: Banda de Ipanema




A diretoria da Banda de Ipanema visita o encontro Bimestral do Fuzuê e recebe a faixa de madrinha do nosso carnaval.
O GLOBO 7 DE DEZEMBRO DE 2009: O batismo do Fuzuê.


Cláudio Pinheiro - diretor e responsável pela Banda de Ipanema numa manifestação de carinho em nosso estandarte.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Praia da Bica; Jardim Guanabara; Cacuia; Cocotá! . . . Vai!?

.

Como diz a velha marchinha: "Recordar é viver". Na esteira da saudade, reconstruimos através de velhas fotografias, a mémoria do bairro através de seus locais mais sigificativos. Eis aqui, a "velha Ilha do Governador". Ilha isolada, desligada do continente. Ilha de fazendas e areais. Ilha de veraneios e bondes. entre no bairro, passe pela "venda" de peixe na Praia de São Bento, pela Praia da Bica, atravesse o Cacuia e chegue a ponta do Cocotà, divertindo-se com o passado, que a poeira da modernidade cobriu.

.

A construção da ponte ligando a Ilha do Governador ao continente em 1949.

O aspecto rural e o trânsito rarefeito da Estrada do Galeão na decáda de quarenta.

A Praia de São Bento até meados da década de 50, pelas condições favoráveis das límpidas águas da Baia de Guanabara, abrigou uma Colônia de Pesca que acabou por se extinguir, dando origem a peixaria lá existente - atualmente anexa ao restaurante Siri do Galeão.

Jardim Guanabara, Rua Uçá - na época chamada rua 28 - tendo como fundo a Praia da Bica.

Vista áerea mostrando a parte alta do Jardim Guanabara em 1929.


Final da Praia Bica em 1925

Cacuia - Hospital Dispensário Paulino Werneck em 1938.

Esporte Clube Cocotá



Cocotá - Saco da Olaria em 1950. A praia mostrada na foto - praia da Olaria - foi aterrada para a construção do Parque Manuel Bandeira. Abaixo, a paisagem encoberta pela " aterro "

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Um domingo de Fuzuê!


A banda atacou de Caymmi. Fazia um dia que o poeta baiano havia fechado os olhos. Os versos de “Maracangalha” estavam na boca do povo. Lá de cima, o velho devia de estar contente em ouvir a canção ecoar. Isso não foi em Itapuã ou em Amaralina. Ocorreu no Rio de Janeiro, num domingo. Não foi "pagode do Vává" nem feijão da nega "Vicentina", ainda sim, era dia de festa para nós. São Pedro ajudou bastante, provou de fato gostar da cidade quando emoldurada pelo sol. Falava-se em mudança no tempo. O que tínhamos? - Um belo dia de verão, no meio de um Agosto. O bairro estava na rua e saudou com alegria a festa que ocorria de maneira inédita nas areias da praia. Aos poucos, famílias, amigos e curiosos se aproximaram.

A festa rolou o dia inteiro. Começou na claridade do almoço e terminou na escuridão da noite. Quando o sol já havia se cansado e resolveu partir, a lua veio nos ver na beira da praia. Em homenagem a jóia amarelada que nascia sob o mar, a banda atacou uma marcha que falava em seu nome. Dali, ela não saiu mais.

A brincadeira acabou quando o clarim se calou. Uma “meia dúzia” resolveu iniciar uma batucada e estender a festa que insistia em findar. No final, era “couro”, “palma da mão” e "voz". Todos sabíamos que era hora de partir. Os corpos estavam cansados e não havia mais feijão. Dalí, aqueles poucos não queriam sair, mas infelizmente, somente a lua podia ficar.






Para visualizar mais fotos clique no link abaixo e entre na nossa página do FLICKR:

www.flickr.com/photos/29746011@N03/

.

domingo, 27 de julho de 2008

Dois dedos de prosa e a saideira!

.

Anoitece na cidade. A mesa do bar há poucos minutos vazia, agora tem uma cadeira ocupada. Desce uma gelada, e antes da ampola amarelada perder cinco centímetros, a mesa já está na totalidade ocupada. Quatro cadeiras não são suficientes para dar acento aos que chegam. Em pouco tempo, uma mesa; são duas ou três. O que chegou primeiro cede lugar para menina que desce da condução. Alguém pede a primeira cerveja para abrir a conta. Outro, a última para “fechar”! Ainda não passa das oito da noite de um dia de semana e já parece madrugada de sábado. A mesa encoberta de copos é a prova de que o povo tinha sede, e precisava beber. As cadeiras ocupadas e os longos papos; a prova de que duas cervejas e amigos reunidos, fazem de um dia comum de meio de semana, uma madrugada de sábado antes do “boa noite” da Fátima Bernardes.

Alguém lembra que em breve um dos presentes completará anos. Uma das meninas diz trazer o bolo! Uma mão se levanta e propõe brinde. Outra se abaixa e saca da carteira dez contos para quitar uma mensalidade em atraso. Escuta-se um acorde de violão. Uma voz rasga o burburinho das bocas e leva um velho samba. As mesas e os copos balançam ao som da melodia. A mão “cansada,” agora passa a viola para uma mais nova. Os arranjos são outros. Menos originais, mas, mais ágeis...

Tinha gente que vinha mais. Tem gente que vinha menos. Os que vinham mais e hoje são ausentes, deixaram de vir por motivos desconhecidos: Nunca se sabe ao certo o que justifica deixar de ver quem não nos fez mal...
Os que passaram a vir mais, o fizeram por motivos conhecidos: É facil reconhecer quem está inressado em fazer uma nova amizade. A fumaça e o cheiro de brasa queimada abrem o apetite, enquanto o cachorro deitado teme pelo futuro que seus olhos refletem. Desce o frango, o filé, o salsichão e a Kafta. Alguns precisam de prato, garfo e faca. Outros, apenas de dentes...

Fala-se de política. Fala-se de esporte. Fala-se de quem ainda não chegou, ou de quem ainda a pouco esteve presente. Alguém na cabeceira da mesa pede cerveja, outro coca, outra; chocolate com guaravita. Chega mais um; outro se vai. Um casal se despede: Certamente haverá uma mulher feliz antes dos pais pensarem ser muito tarde para um churrasco em dia de semana. Uma namorada está no colo, outra na “cola”. Alguém dorme na mesa. Uns contam histórias em voz alta. Outros falam nos ouvidos. Alguém lembra de quem agora nos “vê de cima”. Uma lágrima de saudade rola no rosto: Aqui não se joga mais cartas! Ninguém senta mais no “peito me dói” – ele já levou dois...

Um amendoim “foge” da arcada e rompe o espaço com direção indefinida. Uns falam pouco, uns muito, uns; como a moça que junta bolinhas. Um grito rompe a conversa e a tv no canto anuncia: Bola na trave! Risos, zombaria e brindes!
Algumas contas começam a ser encerradas enquanto outras se abrem! O álcool já está em níveis autos. O sono começa a fechar os olhos de alguns. O fogo se apaga. Alguém inúmera quem esteve semana passada, e hoje "faltou". Alguns celulares tocam ansiosos por notícias:A essa hora, é tarde para quem tem de trabalhar e já não parece mais ser sábado.

Aos poucos, a mesa se esvazia. Abraços! Beijos!Até mais! Quem chega agora pergunta por quem já se foi. O rádio toca musicas que enchem o peito de nostalgia. A “saideira” agora é pra valer. O cigarro morre no fundo do cinzeiro... Ok senhores...noite encerrada! - E a conta? Pergunta a voz que vem do balcão:
- Pendura por hoje! Amanhã estamos ai

.

Personagens reais de um mundo de histórias por vezes ilusórias

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Segura Marimba! Festa no Céu!!!

.

Aroldo Melodia, moleque travesso, galanteador, mergulhador e engraxate. A noite era o cenário!O palco a tua casa! Paixão pela União da Ilha que era difícil descrever. Voz da folia! O dono da voz que imortalizou os sambas da União. Nascido em 1930 na Ilha do Governador, e batizado com o nome de Aroldo Forde. Aroldo Melodia viveu boa parte de sua vida no Conjunto Tijolinhos, no Cocotá. No mundo do samba, é consagrado cantor e compositor, dono do famoso "Segura a marimba!" que anunciava a entrada da alegre e comunicativa escola insulana na Avenida. Aroldo teve sete filhos, sendo que um deles, Aroldão, faleceu na porta da agremiação, vítima de um atropelamento. Outro, Ito, segue honrando o talento e o nome do pai, hoje como intérprete oficial da União da Ilha.

Antes do falecimento, Aroldo concedeu bela e emocionada entrevista ao site OBatuque. Nela,reconstruiu sua história de vida, relembrou momentos importantes para a construção da identidade da Ilha no mundo do samba, além de momentos importantes para a agremiação que sua voz defendeu até seus últimos dias.Como homenagem, o Fuzuê reproduz parte dessa entrevista afim de que todos conheçam esse homem simples, sambista do povo, cujo a voz está definitivamente gravada na História das conquistas do samba.

Ao lado do Quinho do Salgueiro, quando o interprete ainda estava na União.


Como foi sua infância no bairro da Ilha do Governador?

Aroldo Melodia – Na infância a gente brincava muito e eu gostava muito de pular nos bailes de carnaval. Aqui na Ilha tinha os bailes e só fui convidado pra União da Ilha depois de conseguir me profissionalizar.

Na sua família havia pessoas ligadas ao samba, músicos, artistas....

Aroldo Melodia – Minha mãe era doméstica, mas meu pai, que era estivador, gostava muito de música. Pra ele, era como se fosse músico, mas profissionalmente não, porque naquele tempo a música não remunerava nada. As pessoas faziam porque gostavam e ele todo ano botava um surdo nas costas e saía pela rua a baixo. Eu mesmo nunca pensei em ser sambista. Mesmo quando comecei a compor para a União da Ilha, não pensava em ser cantor.

Como era sua participação no carnaval do bairro?

Aroldo Melodia – Eu vivia muito no Booggie-Woogie, morro que tem atrás da atual quadra da União da Ilha. Lá,com os parceiros Ademar e Nelson Pequenininho, fundamos o Bloco Paraíso Imperial, que desfilava no Cacuia junto com o Bloco Império da Ligação, o Boi da Freguesia .... E esse Bloco que fundamos era no Cacuia mesmo, mas não tínhamos filiação, não.

Como foi sua ida para a União da Ilha?

Aroldo Melodia – Teve um dia que a gente estava lá na Ribeira, que na época era o ponto de bate-papo da rapaziada, e apareceu o Paulo Amargoso. Isso foi em 58. Ele chegou e falou "Vamos lá pra União da Ilha, rapaz" e eu disse que tinha o nosso bloco de samba e estava tudo bem. Mas Paulo disse que era aquela coisa de uma escola só, que era a União. Que eu ia pra lá ajudar e esse negócio todo, e eu disse a ele que ia pensar. No mesmo dia, eu subi o morro direto e encontrei com o Ademar e o Nelson, os dois já falecidos, e falei que o Paulo tinha chamado pra ir para a União. Eles disseram que era uma coisa pessoal, que só eu podia decidir, e, então, disse que ia para a União da Ilha, que ia lá pra ajudar também. Naquela época, na União tinha poucos instrumentos, os instrumentos foram emprestados para a escola e ficamos lá.

Como foi esse primeiro ano na União?

Aroldo Melodia – Foi em 58, foi muito bom. Tive uma surpresa que Deus me deu, essa é minha referência que eu guardo até hoje, sou forte porque guardo. Então recebi logo um posto como cantor. Naquela época, nós éramos cantores, crooner, intérpretes, só nome bonito. Só não tinha retorno financeiro e eu fui tudo isso pela União da Ilha. Tanto que conheci todos os estados do Brasil pela escola, conheci

Fale um pouco sobre a Ala de Compositores da escola.

Aroldo Melodia – Essa história é muito grande, vai até me cansar de falar, mas eu vou falar. A Ala de Compositores é uma criação minha, eles de repente não vão assumir isso, não, mas realmente foi. Quando eu cheguei na escola, no final da década de 50, início de 60, o número era muito pequeno de compositores. Só tinha dois pares de compositores. Didi, Aurinho, Mundinho e Brasília e não tinha cantor fixo. Não lembro bem o ano, não se tinha muito interesse, até porque não tinha dinheiro como se tem hoje e o Paulo Amargoso, que era o presidente, não quis se candidatar, e deixou com o Orfilo, o Altair e alguns outros. Ele convidou um amigo, que era também estivador, que aceitou e assumiu a presidência. A primeira pessoa que procurou para conversar sobre a escola fui eu. E ele queria saber por que tinha uma política toda braba pro meu lado. Eu disse que não tinha nada a ver com isso e que continuava a ser o Aroldo Melodia. Mais à frente chegou um compositor da Colônia de Pescadores e, no final das contas, eram só sete compositores, se não me engano. Já tinha alguns anos na escola e todo ano eles ganhavam o samba, Aurinho e Didi. Um dia lá cismei, cheguei pra Leôncio e falei "Vamos escrever?". Fizemos um samba para o Bloco Guerreiros, também do Cacuia, e viemos fazer samba para a União. Na época eu tinha um projeto de cada um escrever o samba e apresentar na hora, pra evitar o que se chamava de "samba de escritório". Quem levantou essa lebre foi o Davi Corrêa, isso já existia muito anos atrás. De mim ninguém pode falar, porque eu sempre fui correto com isso.

Qual o momento mais marcante que o senhor viveu na Avenida? O samba-enredo que mais mexeu com sua emoção?

Aroldo Melodia – Foi "Domingo" (1977). Isso não tem como ser diferente. A própria mídia diz isso e volta e meia passa alguma coisa sobre aquele ano. O meu samba não poderia ser ("Lendas e festas das Yabás", 1974), que foi antes, ainda no grupo de baixo, não tem mais graça. Eu é que forço barra pra cantar na quadra. Agora, tem um samba que ninguém pode tirar nunca. Na escola não pode deixar de tocar nunca, que é o hino "Azul, Vermelho e Branco".

Desde 1995, último ano em que cantou na Avenida pela escola, o senhor vem acompanhando os desfiles ou em cadeiras de rodas ou em carros alegóricos. Como é esse momento? A emoção ainda é a mesma? Ainda vale o prazer do desfile?

Aroldo Melodia – A emoção é a mesma, sim, ou até maior. Porque o que a gente vê é o reconhecimento do público, nem da descola, dos diretores, mas do público. Este ano eles fizeram uma paródia, que era assim: "Aroldo, cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!". Isso emociona muito, é como gratidão ao trabalho que a gente fez.


Os memoravéis desfiles da União da Ilha, emoldurados pela voz de Aroldo Melodia!

O Fuzuê te abraça e lhe manda luz!!!

domingo, 15 de junho de 2008

SAMBA: o canto de liberdade desse meu país.

.
" Maria Lata d'agua" -
Nosso blog é antes de qualquer coisa um canal de divulgação da cultura brasileira. Aqui postamos além de nossas atividades, textos e imagens que façam alusão a cultura nacional. O artigo agora publicado é parte do texto de apresentação do livro "Heranças do samba" onde o poeta Aldir Blanc traça emocionado e inspirado texto onde o samba - a música popular brasileira em sua essência - ganha aquela que consideramos sua mais bela definição. Boa leitura, e aproveitem as palavras desse sábio poeta.


"... Falo do samba. Que outra forma de expressão é mais completa? O samba dialoga com a divindade, abraça o solo, envolve-se com as águas, é verde antes da moda, vermelho antes da decepção, azul porque 'anteblue', amarelo porque dissidente, branco porque reunião, e negro porque um negro é um negro, é um negro, é um negro, é negronoite, e a noite é a mãe de todos nós. O capital não tem pátria. O samba tem: a alma, onde quer que ela esteja. Há os que se julgam remadores em direção ao futuro. Não sabem que o samba lhes esculpiu o barco. O fazer samba implica sempre ato de magia: é voltar. E como a essa esplêndida viagem se opõem o tempo e a ciência, o samba, encrequeiro, volta para o futuro, numa reconquista do paraíso perdido, na qual temos que tomar conta de nossos ancenstrais-bebês, sabendo que, em outro futuro próximo, as gerações vindouras chegarão para nos alimentar.
Esse é o paradoxal ciclo aberto do samba. Porque o samba, mais que feitio de oração, nos ajuda a atravessar o vale da morte e das lágrimas, a lama da impunidade, o limbo das esperanças perdidas. O samba preside o nascimento e celebra o gurufim dos seres. Em linguagem cósmica, o samba estava na primeira explosão e estará no último gemido. Em todos os recantos onde expandimos ou onde nos confragemos existe samba."

O Fuzuê assina em baixo!! Salve o samba!

Representantes das estrelas do samba: João Nogueira,Elizeth Cardoso,D.Ivone Lara e Beth Carvalho.

Clara Nunes: Um dos maiores nomes da história do samba

Aldir Blanc: Compositor e poeta carioca, autor de clássicos da MPB como "Bêbado e o equilibrista" e do texto que aqui reproduzimos.