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Anoitece na cidade. A mesa do bar há poucos minutos vazia, agora tem uma cadeira ocupada. Desce uma gelada, e antes da ampola amarelada perder cinco centímetros, a mesa já está na totalidade ocupada. Quatro cadeiras não são suficientes para dar acento aos que chegam. Em pouco tempo, uma mesa; são duas ou três. O que chegou primeiro cede lugar para menina que desce da condução. Alguém pede a primeira cerveja para abrir a conta. Outro, a última para “fechar”! Ainda não passa das oito da noite de um dia de semana e já parece madrugada de sábado. A mesa encoberta de copos é a prova de que o povo tinha sede, e precisava beber. As cadeiras ocupadas e os longos papos; a prova de que duas cervejas e amigos reunidos, fazem de um dia comum de meio de semana, uma madrugada de sábado antes do “boa noite” da Fátima Bernardes.
Alguém lembra que em breve um dos presentes completará anos. Uma das meninas diz trazer o bolo! Uma mão se levanta e propõe brinde. Outra se abaixa e saca da carteira dez contos para quitar uma mensalidade em atraso. Escuta-se um acorde de violão. Uma voz rasga o burburinho das bocas e leva um velho samba. As mesas e os copos balançam ao som da melodia. A mão “cansada,” agora passa a viola para uma mais nova. Os arranjos são outros. Menos originais, mas, mais ágeis...
Tinha gente que vinha mais. Tem gente que vinha menos. Os que vinham mais e hoje são ausentes, deixaram de vir por motivos desconhecidos: Nunca se sabe ao certo o que justifica deixar de ver quem não nos fez mal...
Alguém lembra que em breve um dos presentes completará anos. Uma das meninas diz trazer o bolo! Uma mão se levanta e propõe brinde. Outra se abaixa e saca da carteira dez contos para quitar uma mensalidade em atraso. Escuta-se um acorde de violão. Uma voz rasga o burburinho das bocas e leva um velho samba. As mesas e os copos balançam ao som da melodia. A mão “cansada,” agora passa a viola para uma mais nova. Os arranjos são outros. Menos originais, mas, mais ágeis...
Tinha gente que vinha mais. Tem gente que vinha menos. Os que vinham mais e hoje são ausentes, deixaram de vir por motivos desconhecidos: Nunca se sabe ao certo o que justifica deixar de ver quem não nos fez mal...
Os que passaram a vir mais, o fizeram por motivos conhecidos: É facil reconhecer quem está inressado em fazer uma nova amizade. A fumaça e o cheiro de brasa queimada abrem o apetite, enquanto o cachorro deitado teme pelo futuro que seus olhos refletem. Desce o frango, o filé, o salsichão e a Kafta. Alguns precisam de prato, garfo e faca. Outros, apenas de dentes...
Fala-se de política. Fala-se de esporte. Fala-se de quem ainda não chegou, ou de quem ainda a pouco esteve presente. Alguém na cabeceira da mesa pede cerveja, outro coca, outra; chocolate com guaravita. Chega mais um; outro se vai. Um casal se despede: Certamente haverá uma mulher feliz antes dos pais pensarem ser muito tarde para um churrasco em dia de semana. Uma namorada está no colo, outra na “cola”. Alguém dorme na mesa. Uns contam histórias em voz alta. Outros falam nos ouvidos. Alguém lembra de quem agora nos “vê de cima”. Uma lágrima de saudade rola no rosto: Aqui não se joga mais cartas! Ninguém senta mais no “peito me dói” – ele já levou dois...
Um amendoim “foge” da arcada e rompe o espaço com direção indefinida. Uns falam pouco, uns muito, uns; como a moça que junta bolinhas. Um grito rompe a conversa e a tv no canto anuncia: Bola na trave! Risos, zombaria e brindes!
Fala-se de política. Fala-se de esporte. Fala-se de quem ainda não chegou, ou de quem ainda a pouco esteve presente. Alguém na cabeceira da mesa pede cerveja, outro coca, outra; chocolate com guaravita. Chega mais um; outro se vai. Um casal se despede: Certamente haverá uma mulher feliz antes dos pais pensarem ser muito tarde para um churrasco em dia de semana. Uma namorada está no colo, outra na “cola”. Alguém dorme na mesa. Uns contam histórias em voz alta. Outros falam nos ouvidos. Alguém lembra de quem agora nos “vê de cima”. Uma lágrima de saudade rola no rosto: Aqui não se joga mais cartas! Ninguém senta mais no “peito me dói” – ele já levou dois...
Um amendoim “foge” da arcada e rompe o espaço com direção indefinida. Uns falam pouco, uns muito, uns; como a moça que junta bolinhas. Um grito rompe a conversa e a tv no canto anuncia: Bola na trave! Risos, zombaria e brindes!
Algumas contas começam a ser encerradas enquanto outras se abrem! O álcool já está em níveis autos. O sono começa a fechar os olhos de alguns. O fogo se apaga. Alguém inúmera quem esteve semana passada, e hoje "faltou". Alguns celulares tocam ansiosos por notícias:A essa hora, é tarde para quem tem de trabalhar e já não parece mais ser sábado.
Aos poucos, a mesa se esvazia. Abraços! Beijos!Até mais! Quem chega agora pergunta por quem já se foi. O rádio toca musicas que enchem o peito de nostalgia. A “saideira” agora é pra valer. O cigarro morre no fundo do cinzeiro... Ok senhores...noite encerrada! - E a conta? Pergunta a voz que vem do balcão:
Aos poucos, a mesa se esvazia. Abraços! Beijos!Até mais! Quem chega agora pergunta por quem já se foi. O rádio toca musicas que enchem o peito de nostalgia. A “saideira” agora é pra valer. O cigarro morre no fundo do cinzeiro... Ok senhores...noite encerrada! - E a conta? Pergunta a voz que vem do balcão:
- Pendura por hoje! Amanhã estamos ai
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Personagens reais de um mundo de histórias por vezes ilusórias





