sexta-feira, 16 de maio de 2008

CARNAVAL DE RUA CARIOCA HOJE:


Sair do Rio no carnaval é bobagem. O carnaval de rua voltou, tem gente bonita, alegre, boa música e é de graça. Nos últimos anos, muita gente tem dito isso e quem fica na cidade maravilhosa nos dias de carnaval não se arrepende dessa decisão.
O carnaval de rua carioca, desde o final da década de noventa, vem reconquistando seu espaço e, possivelmente, existam hoje mais de trezentos blocos espalhados por toda cidade.
Existem blocos grandes, médios, pequenos, que tocam apenas o samba do ano da agremiação, os que tocam sambas de enredo de grandes escolas, outros que executam as tradicionais marchinhas de carnaval, blocos que desfilam, outros que concentram e não saem, uns com baterias próprias, outros com ritmistas das grandes escolas de samba e bandinhas animam muitos grupos de foliões, enfim, há variedade que garante inúmeras opções de folia popular.
Apesar da diversidade de formatos, existem pontos comuns à esmagadora maioria dos blocos cariocas. O mais significativo deles é que todos expressam um sentimento de vitória com a retomada do carnaval de rua do Rio de Janeiro, depois de seguidos anos de pouca atividade e muita resistência dos foliões que mantinham acesa a chama popular do carnaval carioca.
Ainda não existem muitos trabalhos acadêmicos acerca da revitalização do carnaval de rua no Rio de Janeiro, contudo surgem as primeiras opiniões sobre o tema e multiplicam-se as “teses de mesa de bar” que buscam explicar esse fenômeno.

Analisar a ascensão do carnaval de rua no Rio de Janeiro, seu declínio e recuperação recente, é uma empreitada a ser melhor desenvolvida e que poderá revelar vários aspectos socais, políticos e culturais da história recente de nosso país.


Márcio Marques: Parte deste artigo foi publicado no Jornal A Classe Operária – Março de 2005.

A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE CARNAVALESCA CARIOCA





O encontro do samba com o carnaval é um fato determinante no sucesso e popularidade dessa festa, nos moldes em que a realizamos até hoje.
O samba, em sua fase inicial, reprimido e marginalizado, passa a ser a partir dos anos 30, uma das bases culturais do país, contando inclusive com o apoio oficiÉ al. nessa época, por exemplo, que surgem programas de rádios que levam o samba para todo país e que surgem Noel Rosa, Braguinha e a maioria das grandes escolas de samba do Rio com seus sambistas pioneiros e fantásticos.
Os blocos, as escolas de samba juntaram-se aos ranchos, corsos, bailes de fantasias, batalhas de confetes, banhos de mar à fantasia e desfiles de sociedades aumentando a prática plural das manifestações carnavalescas na cidade.
Nascia então o carnaval carioca que conhecemos até hoje.
Os festejos reuniam foliões em todos os bairros, tendo como ponto de maior concentração o centro da cidade. Quem acompanha, atualmente, os desfiles do grupo especial das escolas de samba na Marquês de Sapucaí não imagina que as grandes escolas desfilavam gratuitamente na Praça Onze. Ou seja, o grande desfile também era uma festa eminentemente popular.
Essa onda impulsionada pelo samba, fez surgir novas escolas e, também, vários blocos. Na década de 60, surgem o Cacique de Ramos, o Bafo da Onça e outros tantos que reuniam milhares de cariocas fantasiados, ao som de sambas curtos e fáceis. Os blocos e bandas populares se multiplicavam e seguiam sempre a mesma receita – criatividade, irreverência e alegria.
Em aproximadamente trinta anos, essa agitação cultural reuniu todas as camadas sociais cariocas e a classe média passou a participar diretamente da produção dos desfiles e da organização de muitos blocos.



Márcio Marques: Parte deste artigo foi publicado no Jornal A Classe Operária – Março de 2005.